Affonso Eduardo Reidy
Affonso Eduardo Reidy
Alto e magro, tímido e discreto, foi descrito por Geraldo Ferraz como o “gentil-homem da arquitetura brasileira”. Ou “um lorde inglês”, como disse Marcos Konder. Integrante da primeira geração de arquitetos modernos do Brasil, Reidy foi assistente de Gregori Warchavchik e integrou a equipe que desenhou o prédio do Ministério da Educação e Saúde (MES) - um edifício projetado por Lucio Costa com a consultoria de Le Corbusier (ajudado por uma equipe de profissionais como Oscar Niemeyer, Carlos Leão, Afonso Reidy, Ernani Vasconcellos, Jorge Machado Moreira, Burle Marx e Portinari) no Rio de Janeiro.
Ministério da Educação e Saúde (MES)
Desde recém-formado, Reidy integrou os quadros do funcionalismo público, onde permaneceu até morrer (em 1964). Para explicar o fato, afirma: “era impossível naquela época para um arquiteto principiante viver exclusivamente do produto do trabalho do seu ateliê, sobretudo quando esse arquiteto defendia, de maneira intransigente, idéias consideradas insensatas e subversivas”.
Desde recém-formado, Reidy integrou os quadros do funcionalismo público, onde permaneceu até morrer (em 1964). Para explicar o fato, afirma: “era impossível naquela época para um arquiteto principiante viver exclusivamente do produto do trabalho do seu ateliê, sobretudo quando esse arquiteto defendia, de maneira intransigente, idéias consideradas insensatas e subversivas”.
Definido por Geraldo Ferraz como “arquiteto socializado” que “trabalha sempre à margem do quadro das injunções imobiliárias especulativas”, Reidy se desenvolve a partir de duas origens importantes: a influência intelectual de Lúcio Costa, e a absorção de elementos da obra de Le Corbusier.
No panorama da arquitetura moderna brasileira, sua importância reside no fato de que o repertório herdado de Le Corbusier vai gradualmente se refinando e ampliando na medida em que enfrenta cada encargo específico. Em cada projeto, o significado não emana dos elementos componentes, mas das relações estabelecidas entre eles, cuja lógica é parcialmente decorrente do sítio e do programa, mas não se resume a isso. Parece claro que o passo crucial em cada projeto é o estabelecimento de relações formais e funcionais entre as partes, assim como entre o todo e os elementos do entorno circundante.
Na obra de Reidy, as exceções formais ao sistema geral nunca são resultado de um capricho pessoal, mas respostas à potencialidades latentes no programa ou sítio, como bem ilustram as barras curvas presentes nos conjuntos do Pedregulho e Marquês de São Vicente. O Pedregulho compõe a face social da arquitetura de Reidy, abriga blocos residenciais e áreas de serviços comuns: jardim-de-infância, maternal, berçário, escola primária, mercado, lavanderia, centro sanitário, quadras esportivas, ginásios, piscina, vestiários e centro comercial.
Todos os problemas arquitetônicos eram abordados com as mesmas ferramentas projetuais. Ou seja, um interior, uma casa ou um conjunto habitacional era visto como problemas análogos que requeriam igualmente uma estrutura formal, por constituírem apenas diferentes escalas de um mesmo problema.
Outra lição importante que podemos extrair dessa obra precocemente interrompida é sua sistematicidade, ou seja, o desenvolvimento de um modo de projetar que possa resolver o maior número possível de temas arquitetônicos. O procedimento sistemático de Reidy é o oposto do modo sintomático de operar de muitos dos arquitetos de hoje, pois tratam os problemas como se fossem únicos e requeressem soluções especiais do ponto de vista formal.
O Colégio Experimental Brasil-Paraguai, em 1952, foi financiado pelo governo Getúlio Vargas como presente ao país vizinho.
O projeto era composto de dois volumes: na frente estava o bloco do teatro e da quadra, que seria a porção pública do conjunto, com jardins de Burle Marx, fácil acesso e volumetricamente mais expressivo; no fundo, o pavilhão escolar sob pilotis - o único que foi construído. O prédio é uma espécie de conexão entre as obras anteriores e posteriores de Reidy.
Museu de Arte Moderna no Rio de Janeiro (MAM)
Outra importante obra de Reidy que merece destaque aqui é o Museu de Arte Moderna no Rio de Janeiro (MAM). Este é um dos mais importantes museus do cenário cultural brasileiro, segue a linha da arquitetura racionalista brasileira, tendo como características a modulação dos pilares, locação de dois pilares em uma única sapata, fachada envidraçada protegida por brises verticais e horizontais, além da planta livre e o térreo livre permitindo maior permeabilidade para os pedestres.Num momento de desorientação da prática arquitetônica em todas as partes, as lições oferecidas pela arquitetura de Affonso Eduardo Reidy podem ser de extrema utilidade. Sistematicidade, descrição e espírito público são qualidades que dão crédito a qualquer prática arquitetônica.








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