QUANDO O VAZIO FALA
Se imagine correndo. Correndo muito por um campo aberto.
Com uma profunda dor no seu peito, uma dor tão forte quanto os passos que você dá ao correr.
E quanto mais a dor aperta no seu peito, mais rápido você corre.
Não há nada em volta.
Apenas grama e árvores ao longe ficando cada vez mais para trás. E acima da sua cabeça, o céu.
De um puro e lindo azul, como só o céu pode ser.
Até que o chão acaba e na sua frente, um despenhadeiro imenso. Tão alto que você nem pode calcular. E lá embaixo... o mar.
Águas agressivas que se debatem contra as pedras.
E o silêncio.
Por alguns instantes todos os sons cessam completamente. Nem pássaros, nem vento, nem águas agressivas que se debatem. Nada! O silêncio total.
E o vazio.
Nesse momento, esse é o único som que você é capaz de ouvir.
O som do completo e absoluto vazio.
Esse é o som do vazio. E você só é capaz de ouvi-lo quando cessam todos os outros sons. Você pode acessá-lo de vários modos, através da dor, da alegria, do silêncio. A cada um e em cada momento, ele pode se manifestar de uma forma e a partir de uma ação ou sentimento.
Eu não sei muito bem a diferença entre emoção e sentimento. A dor intensa, por exemplo, se classifica em qual dos dois?
Por isso, posso estar aqui falando besteiras.
Não se prenda aos pormenores.
Apenas saiba que, o vazio tem voz. E ele quer se comunicar com você.
...
Um abraço! E até mais.



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