RESPEITE A SI MESMA

Um dia me sujei de lama.

Era um dia chuvoso, daquela chuva fininha que quando começa não para mais.

Eu fui lá para fora, no quintal, e vi uma grande poça de lama. Tão vermelhinha e molhada, com uma textura aveludada, parecia tão macia.

Não sei por quanto tempo fiquei lá parada olhando para aquela poça de lama.

Só sei que a chuva parou.

Tomei coragem e me aproximei.

Primeiro foi a mão direita, era macia.

Não como veludo, acho que estava mais para massa de pão de queijo, ou alguma coisa assim.

Peguei um punhado na mão direita e amassei. Escorreu entre meus dedos e eu gostei.

Senti vontade de me pintar.

Passei um pouco no braço esquerdo para ver como ficaria no meu corpo. Ficou bonito. O desenho dos meus dedos na minha pele marrom.

Passei então no meu rosto. E no cabelo.

Acho que foi nessa hora que me empolguei. Não sei muito bem como foi que aconteceu, só sei que em algum momento, eu peguei um montão com as duas mãos e joguei sobre a minha cabeça. A lama escorrendo por entre os meus olhos. Descendo até o meu pescoço...

Eu passei no meu cachorro. E nas paredes dos muros. Joguei até na minha planta favorita.

Quando me dei conta, tudo ao meu redor era lama.

Eu havia espalhado por todo lugar.

Mas o problema foi que, em alguns deles, eu não consegui limpar.

E, ficou manchado para sempre.

...

Um abraço! E até mais.

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